Alergia Respiratória · Encaixe Rápido

Asma Infantil

A asma é uma das doenças crônicas mais comuns na infância e, quando bem controlada, não precisa limitar a rotina da criança: brincadeiras, esportes e noites de sono tranquilas continuam possíveis. Crise de asma é sempre motivo para encaixe rápido, não para esperar.

Por Dr. Bruno William Lopes de Almeida — CRM-SP 222528 · RQE 1406541 · Alergia e Imunologia Pediátrica (UNIFESP) · Atualizado em 6 de agosto de 2026

O que é asma

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que causa episódios recorrentes de chiado no peito, tosse, aperto torácico e falta de ar. Essas crises acontecem porque as vias aéreas ficam inflamadas, produzem mais muco e se estreitam — o que a diretriz internacional GINA passou a descrever como "variabilidade do fluxo respiratório" em vez do termo antigo "limitação variável do fluxo expiratório".

É uma das doenças crônicas mais comuns da infância. Estudos brasileiros conduzidos pelo International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC) encontraram prevalência de sintomas de asma em torno de 20% entre crianças e adolescentes em diversas cidades do país.

Gatilhos mais comuns

  • Infecções respiratórias virais — o gatilho mais frequente de crise em crianças pequenas
  • Alérgenos inalantes: ácaros da poeira doméstica, pelos de animais, mofo, pólen
  • Mudanças bruscas de temperatura e ar frio
  • Esforço físico (asma induzida por exercício)
  • Fumaça de cigarro e poluição do ar
  • Emoções fortes, riso ou choro intenso

Sintomas mais comuns

  • Chiado no peito (sibilância), muitas vezes audível à distância
  • Tosse persistente, principalmente à noite, ao acordar ou durante o riso e o choro
  • Falta de ar ou cansaço fácil durante brincadeiras e atividades físicas
  • Aperto ou desconforto no peito
  • Sintomas que pioram junto com resfriados ou mudam com a estação do ano

Como o diagnóstico é feito antes dos 5 anos

Diagnosticar asma em bebês e crianças pequenas é mais desafiador, porque chiado nessa faixa etária nem sempre é asma — pode ser uma condição transitória ligada a vias aéreas ainda pequenas. A atualização GINA 2025 formalizou critérios objetivos: os três precisam estar presentes ao mesmo tempo para confirmar o diagnóstico em menores de 5 anos:

  1. Episódios recorrentes de chiado, ou ao menos um episódio de chiado com sintomas semelhantes aos da asma
  2. Ausência de outra causa provável para os sintomas respiratórios
  3. Melhora clara dos sintomas com o tratamento para asma

Em crianças maiores, capazes de colaborar, a prova de função pulmonar (espirometria) e os testes alérgicos para identificar os gatilhos envolvidos completam a avaliação. O histórico clínico contado pelos pais — quando ocorrem os sintomas, o que piora e o que melhora, se há resposta a broncodilatador — continua sendo a peça mais importante do diagnóstico em qualquer idade.

Sinais de crise grave — quando é emergência

Procure atendimento de urgência imediatamente se a criança apresentar:

  • Falta de ar que não melhora com a bombinha de alívio
  • Dificuldade para falar frases inteiras ou para se alimentar
  • Respiração muito acelerada, com "puxão" visível entre as costelas ou no pescoço
  • Lábios ou unhas arroxeados (cianose)
  • Sonolência excessiva, agitação incomum ou confusão
  • Silêncio no peito — quando o chiado some porque o ar quase não está passando, é sinal de gravidade, não de melhora

Crise de asma que não responde ao alívio habitual é situação de pronto-socorro. Depois de estabilizada, ajustar o tratamento de controle com o alergista é o que evita a próxima crise.

Tratamento atualizado (GINA 2025)

O tratamento combina duas frentes: controle contínuo da inflamação e alívio rápido da crise quando ela acontece.

Frente do tratamentoPara que serve
Medicação de controleUso contínuo, geralmente corticoide inalatório, para reduzir a inflamação de base e prevenir crises — não é para usar só quando "está ruim"
Medicação de alívioUsada na crise, para abrir rapidamente as vias aéreas

A diretriz GINA 2025 mantém como via preferencial de tratamento a associação de corticoide inalatório em dose baixa com formoterol, usada tanto como manutenção quanto como alívio em um único dispositivo — uma mudança de estratégia em relação ao esquema antigo, que separava rigidamente bombinha "de controle" e "de crise". A definição exata do esquema depende da idade, da gravidade e da resposta da criança, e deve ser sempre individualizada pelo médico.

Outros pilares do tratamento: orientação detalhada sobre a técnica correta de uso da bombinha e do espaçador (a maior causa de "tratamento que não funciona" é técnica inalatória inadequada), identificação e controle dos gatilhos ambientais, e imunoterapia alérgeno-específica quando há alergia respiratória confirmada por trás da asma.

Bombinha não vicia e não tem os mesmos riscos de um corticoide oral em uso contínuo. O risco real na asma não controlada é o oposto: usar de menos, tolerar sintomas como "normais" e deixar a criança limitada sem necessidade.

Plano de ação por escrito

Toda criança com asma deve sair da consulta com um plano de ação por escrito: o que fazer no dia a dia, como reconhecer o início de uma crise, quais medicações usar e em que dose, e em que ponto procurar atendimento de urgência. Ter esse plano em mãos — inclusive uma cópia na escola — reduz a demora entre o início dos sintomas e o tratamento correto.

CID-10 da asma: qual é o código correto

O código depende de haver ou não um gatilho alérgico identificado e da gravidade do episódio:

J45.0Asma predominantemente alérgica. Quando há alergia respiratória confirmada por trás dos sintomas.
J45.1Asma não alérgica. Sem gatilho alérgico identificado.
J45.8Asma mista. Quando há componentes alérgicos e não alérgicos.
J45.9Asma não especificada. O mais usado no dia a dia, quando a classificação detalhada não é o foco do laudo.
J46Estado de mal asmático. Reservado para crise grave, com necessidade de atendimento de urgência.

O código entra em laudos, atestados escolares (inclusive para dispensa de educação física em dias de crise) e solicitações a convênios. Quem define é o médico que acompanha a criança.

Asma controlada x descontrolada

O objetivo do tratamento não é "reduzir" os sintomas — é o controle total: sem despertares noturnos por tosse ou falta de ar, sem faltar à escola ou deixar de fazer educação física, sem uso frequente da bombinha de alívio. Quando a criança usa o alívio mais de duas vezes por semana ou acorda à noite por sintomas, isso é sinal de que o tratamento de controle precisa de ajuste, não de que a asma é assim mesmo.

Quando procurar o especialista

Vale marcar avaliação com alergista pediátrico quando:

  • Há crises frequentes ou uso repetido da bombinha de alívio
  • Falta de ar aparece durante atividades físicas normais para a idade
  • Tosse noturna recorrente atrapalha o sono
  • Os sintomas pioram claramente em contato com poeira, animais ou determinada estação do ano
  • A família já recebeu o diagnóstico, mas sente que o tratamento atual não está controlando bem

Perguntas frequentes

Asma tem cura?

Não existe cura definitiva, mas com tratamento adequado a criança pode viver sem limitações e sem crises. Boa parte das crianças com sintomas leves apresenta melhora importante ao longo da adolescência.

O uso de bombinha vicia?

Não. O uso correto da medicação inalatória é seguro e fundamental para o controle da doença. O risco real está em usar de menos, não de mais.

Dá para diagnosticar asma em bebê ou criança bem pequena?

Sim, mas com critérios específicos. A diretriz GINA 2025 exige três critérios simultâneos em menores de 5 anos: episódios recorrentes de chiado, ausência de outra causa provável para os sintomas e melhora clara com o tratamento para asma.

Qual o CID-10 da asma?

O mais usado é J45.9 (asma não especificada). Quando há um gatilho alérgico claro, usa-se J45.0 (asma predominantemente alérgica). Crise grave, com necessidade de atendimento de urgência, é registrada como J46 (estado de mal asmático).

Outras condições que também trato:

Referências científicas

O conteúdo desta página segue as recomendações vigentes das sociedades médicas brasileiras e internacionais:

  1. Global Initiative for Asthma (GINA). Global Strategy for Asthma Management and Prevention. Atualização 2025.
  2. International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC). Dados de prevalência em centros brasileiros.
  3. Organização Mundial da Saúde. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10).
Sobre esta página. Conteúdo escrito e revisado por Dr. Bruno William Lopes de Almeida — CRM-SP 222528 · RQE 1406541 (Alergia e Imunologia) · RQE 140654 (Pediatria). Residência em Alergia e Imunologia pela UNIFESP. Última revisão em 6 de agosto de 2026.

Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. Diante de sinais de crise grave descritos acima, procure atendimento médico imediato.

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