Rinite Alérgica Infantil
Nariz sempre entupido, espirros em sequência e olheiras podem ser sinais de rinite alérgica, uma condição que atrapalha o sono, o rendimento escolar e a qualidade de vida da criança, mas que tem tratamento eficaz.
Por Dr. Bruno William Lopes de Almeida — CRM-SP 222528 · RQE 1406541 · Alergia e Imunologia Pediátrica (UNIFESP) · Atualizado em 6 de agosto de 2026
O que é rinite alérgica
Rinite alérgica é a inflamação da mucosa nasal causada pela exposição a substâncias às quais a criança é sensibilizada — mais comumente ácaros da poeira doméstica, pelos de animais, mofo e pólen. É uma das doenças alérgicas mais frequentes na infância: estudos brasileiros do International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC) apontaram prevalência de sintomas de rinite alérgica na faixa de 25% a 30% entre crianças e adolescentes em centros urbanos do país.
Classificação: intermitente, persistente, leve ou grave
Desde a diretriz internacional ARIA (Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma), a rinite alérgica deixou de ser dividida só em "sazonal" ou "perene" e passou a ser classificada por frequência e por gravidade — o que orienta diretamente a escolha do tratamento:
| Classificação | Critério |
|---|---|
| Intermitente | Sintomas ≤ 4 dias por semana OU por ≤ 4 semanas consecutivas |
| Persistente | Sintomas > 4 dias por semana E > 4 semanas consecutivas |
| Leve | Sem impacto relevante no sono, nas atividades diárias, no esporte, lazer, escola ou trabalho |
| Moderada/grave | Um ou mais desses itens prejudicados de forma perceptível |
No Brasil, o padrão mais comum em crianças é a rinite persistente, ligada à exposição contínua a ácaros dentro de casa — diferente do padrão "sazonal" mais associado a pólen, mais relevante em outros países. Um mesmo paciente pode ter graus diferentes de gravidade ao longo do ano, dependendo da exposição.
Sintomas mais comuns
- Espirros em sequência
- Coceira no nariz, nos olhos ou no céu da boca
- Nariz entupido ou escorrendo (coriza clara)
- Olheiras e o hábito de esfregar o nariz para cima, num gesto característico ("saudação alérgica")
- Respiração pela boca e ronco noturno
Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico começa pela história clínica — quando os sintomas aparecem, o que piora e o que melhora — e pelo exame físico. O teste cutâneo de leitura imediata (prick test) ou a dosagem de IgE específica ajudam a confirmar e identificar os alérgenos responsáveis, o que é especialmente útil quando se considera indicar imunoterapia.
Nem todo "nariz entupido" é rinite alérgica comum. Vale avaliação mais rápida, e não de rotina, quando há:
- Obstrução nasal de um lado só, sem explicação — pode indicar corpo estranho (mais comum em crianças pequenas) ou outra causa estrutural
- Sangramento nasal frequente ou secreção com sangue
- Dor facial intensa, febre alta e secreção espessa — pode indicar sinusite bacteriana
- Ronco importante com pausas respiratórias durante o sono
Rinite e asma: a "via aérea única"
Rinite alérgica e asma frequentemente andam juntas, porque fazem parte do mesmo conceito de via aérea — o nariz e os brônquios reagem de forma parecida ao mesmo tipo de alérgeno. Quando não tratada, a rinite pode prejudicar o sono, o desempenho escolar e favorecer complicações como sinusite, otite de repetição e piora do controle da asma. Por isso, criança com rinite persistente e sintomas respiratórios associados merece avaliação das duas condições juntas, não isoladamente.
Tratamento
- Controle ambiental: redução da exposição a ácaros (capas antiácaro, lavagem de roupa de cama em água quente, ventilação adequada), afastamento de mofo e pelos de animais quando identificados como gatilho
- Anti-histamínicos e corticoides nasais, conforme a classificação de gravidade e frequência
- Imunoterapia alérgeno-específica (a "vacina para alergia"), quando indicada — é a única opção que trata a causa da sensibilização, não só controla o sintoma
- Acompanhamento programado para prevenir complicações como sinusite e otite de repetição
CID-10 da rinite alérgica: qual é o código correto
O código varia conforme o gatilho identificado:
J30.1Rinite alérgica devida a pólen. Forma sazonal clássica.J30.2Outras rinites alérgicas sazonais.J30.3Outras rinites alérgicas. Engloba a maioria dos casos perenes no Brasil, ligados a ácaros e outros alérgenos domésticos.J30.4Rinite alérgica não especificada. Usado quando o quadro é típico sem classificação mais detalhada registrada.O código entra em laudos, atestados escolares e solicitações a convênios. Quem define qual se aplica é o médico que acompanha a criança.
Quando procurar o especialista
Vale procurar avaliação com alergista pediátrico se os sintomas atrapalham o sono, causam respiração bucal constante, se repetem por mais de algumas semanas seguidas, ou se já houve episódios de sinusite ou otite de repetição associados.
Perguntas frequentes
Rinite alérgica é a mesma coisa que resfriado?
Não. O resfriado é causado por vírus e dura poucos dias. A rinite alérgica é uma reação persistente a alérgenos, sem febre, e pode durar meses se não for tratada.
Imunoterapia funciona em crianças?
Sim. É uma das poucas opções que tratam a causa da alergia, não só os sintomas, e pode ser iniciada já na infância, conforme indicação do alergista.
Rinite alérgica tem cura?
Não existe uma cura definitiva, mas o controle costuma ser muito eficaz. A imunoterapia é o tratamento que mais se aproxima disso, por atuar na causa da alergia, não só nos sintomas.
Quais são os gatilhos mais comuns na infância?
Ácaros de poeira doméstica, pelos de animais, mofo e, em menor frequência, pólen. Identificar o gatilho específico de cada criança, com teste alérgico, é o que direciona o tratamento.
Qual o CID-10 da rinite alérgica?
J30.1 quando é causada por pólen, J30.2 para outras rinites alérgicas sazonais, J30.3 para outras rinites alérgicas (a maioria dos casos perenes no Brasil) e J30.4 quando não especificada.
Outras condições que também trato:
Referências científicas
O conteúdo desta página segue as recomendações vigentes das sociedades médicas brasileiras e internacionais:
- Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). V Consenso Brasileiro sobre Rinites. 2024.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia Prático de Atualização: Rinite Alérgica na Infância e Adolescência. 2023.
- ARIA — Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma.
- International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC). Dados de prevalência em centros brasileiros.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica.
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