Imunoterapia: Vacina para Alergia
Diferente dos medicamentos que aliviam sintomas, a imunoterapia é o único tratamento capaz de modificar a resposta imunológica alérgeno-específica, treinando o sistema imunológico da criança a tolerar melhor os alérgenos ao longo do tempo.
Por Dr. Bruno William Lopes de Almeida — CRM-SP 222528 · RQE 1406541 · Alergia e Imunologia Pediátrica (UNIFESP) · Atualizado em 6 de agosto de 2026
O que é imunoterapia
A imunoterapia, popularmente chamada de "vacina para alergia", consiste em expor o paciente a doses crescentes e controladas do alérgeno responsável pelos sintomas, por injeção subcutânea ou por gotas e comprimidos sublinguais, até que o sistema imunológico aprenda a tolerar melhor aquela substância. É reconhecida pelas diretrizes brasileiras e internacionais como o único tratamento capaz de modificar a resposta imunológica alérgeno-específica, promovendo dessensibilização e um estado de tolerância — com efeitos que podem persistir mesmo depois do fim do tratamento.
Para quais alergias é indicada
Segundo as Diretrizes Brasileiras para Imunoterapia com Alérgenos (AMB/ASBAI, 2023), os critérios centrais para indicar o tratamento são: doença moderada a grave, não controlada apesar de controle ambiental e tratamento medicamentoso adequados; diagnóstico confirmado de sensibilização mediada por IgE, por teste cutâneo e/ou dosagem de IgE sérica específica; e correlação clara entre a sensibilização identificada e o alérgeno que desencadeia os sintomas.
- Rinite alérgica e conjuntivite alérgica causadas por ácaros, pólen ou pelos de animais
- Asma alérgica, em casos selecionados
- Alergia a picada de insetos, como abelhas e vespas
- Em investigação e protocolos específicos, algumas alergias alimentares
A base científica é robusta: uma revisão sistemática recente, conduzida pelo Departamento de Imunoterapia da ASBAI e pela AMB, analisou 51 publicações com um total de 5.148 participantes tratados com imunoterapia para ácaros e pólens.
ITSC ou ITSL: injeção ou gotas/comprimidos
| Via | Como é feita |
|---|---|
| ITSC — subcutânea (injetável) | Aplicada em consultório, em intervalos regulares definidos pelo protocolo. Exige deslocamento até o local de aplicação. |
| ITSL — sublingual (gotas ou comprimidos) | A primeira dose é supervisionada; as seguintes podem ser feitas em casa, conforme orientação médica. Sem agulha, mais prática no dia a dia. |
A escolha entre as duas vias depende do alérgeno-alvo, da idade da criança, da disponibilidade de extrato padronizado e da preferência da família — sempre definida junto com o alergista.
Como funciona o tratamento
- Investigação inicial com testes alérgicos para identificar exatamente os alérgenos-alvo
- Início com doses baixas, aumentadas gradualmente sob supervisão médica
- Fase de manutenção, com duração total de tratamento entre 3 e 5 anos
- Acompanhamento próximo para ajustar doses e monitorar a resposta ao longo de todo o período
A imunoterapia é segura quando aplicada por profissional habilitado, com extratos padronizados. Mesmo assim, alguns pontos merecem atenção:
- Reações locais leves — coceira, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação — são comuns e geralmente não exigem suspensão do tratamento
- Reações sistêmicas são raras, mas por isso a criança permanece em observação por um período após cada aplicação injetável, em ambiente preparado para eventual emergência
- Qualquer sintoma incomum após a dose deve ser comunicado à equipe médica antes da próxima aplicação
Benefícios
- Redução de sintomas e do uso de medicação a longo prazo
- Possibilidade de efeito prolongado mesmo após o fim do tratamento
- Trata a causa da sensibilização alérgica, não só controla o sintoma
Quando procurar avaliação
Crianças com alergias respiratórias persistentes, que não respondem bem apenas com medicação sintomática, podem se beneficiar de uma avaliação para verificar se são boas candidatas à imunoterapia.
Perguntas frequentes
A imunoterapia dói muito?
As injeções costumam ser bem toleradas pelas crianças, e a versão sublingual, em gotas ou comprimidos, é uma alternativa sem agulha para muitos casos.
Em quanto tempo aparece resultado?
A melhora costuma ser gradual, percebida ao longo dos primeiros meses, com efeito mais consolidado após 1 a 2 anos de tratamento. O tratamento completo dura de 3 a 5 anos.
A imunoterapia é segura?
Sim, quando aplicada por profissional habilitado e com extratos padronizados. Reações locais leves (coceira, inchaço no local da picada) são comuns. Reações sistêmicas são raras — por isso a criança fica em observação por um período após cada aplicação injetável.
Qual a diferença entre imunoterapia injetável e sublingual?
A ITSC (injetável, subcutânea) é aplicada em consultório em intervalos regulares. A ITSL (sublingual, em gotas ou comprimidos) pode ser feita em casa após a primeira dose supervisionada. A escolha depende do alérgeno, da idade e das preferências da família, sempre orientada pelo alergista.
Outras condições que também trato:
Referências científicas
O conteúdo desta página segue as recomendações vigentes das sociedades médicas brasileiras e internacionais:
- Associação Médica Brasileira (AMB) e Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). Diretrizes Brasileiras para Imunoterapia com Alérgenos no Tratamento de Rinite e Asma Alérgicas. 2023.
- World Allergy Organization (WAO). Posicionamentos sobre imunoterapia alérgeno-específica.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica.
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